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[e-farmacos] Usos no autorizados de medicamentos (cont.)


  • From: "Reis, Andre" <andre.reis@unikey.com.br>
  • Date: Wed, 2 Jun 2004 12:47:06 -0300

Estimados colegas,

Continuando o debate iniciado por Francisco Rossi, seria interessante
ressaltar como o uso de medicamentos fora das indicacoes aprovadas pode resultar numa perda de eficiencia do gasto farmaceutico, ao se utilizarem novos produtos, mais caros, em detrimento de produtos mais antigos que apresentem um mesmo perfil de eficacia terapeutica. Um bom exemplo recente, e bem documentado, e o estudo sobre a rapida adocao em larga escala do celecoxib e rofecoxib (antiinflamatorios inibidores seletivos da COX-2) pelos clinicos gerais australianos, publicado no Medical Journal of Australia: "Lessons from early large-scale adoption of celecoxib and rofecoxib by Australian general practioners":
http://www.mja.com.au/public/issues/179_08_201003/ker10012_fm.html

Grande parte das prescricoes estudadas se encontrava fora das restricoes estabelecidas pelo PBS (Pharmaceutical Benefits Scheme).

No editorial dessa mesma edicao do MJA:"Coax, COX and cola" http://www.mja.com.au/public/issues/179_08_201003/dow10457_fm-2.html
e apontada como uma das razoes desse padrao prescricional o esforco de propaganda das empresas farmaceuticas no sentido de estabelecer uma imagem dos produtos como mais seguros que os antiinflamatorios convencionais em contraposicao a demora na difusao de informacoes independentes sobre esses medicamentos, ocasionada principalmente pela exigencia de confidencialidade das avaliacoes realizadas pelo Therapeutic Goods Administration (TGA), que e o orgao regulatorio responsavel.

As evidencias disponiveis indicam umo menor risco relativo (reducao de 50%) dos inibidores da COX-2 para complicacoes gastrointestinais graves associadas ao uso de antiinflamatorios. No entanto, o risco absoluto e bastante baixo (1,4% na populacao geral); quando segmentada por outros fatores, a populacao com alto risco (ex.: > 65 anos, historia pregressa de reacoes gastrointestinais etc.) apresenta taxa de 5% e a de baixo risco 0,4% (!!). Alem disso, efeitos adversos cardiovasculares tem sido observados na utilizacao desses novos antiinflamatorios -vejam o Prescribing Practice Review, 16 - "COX-2 selective NSAIDs": http://www.nps.org.au/site.php?content=/html/ppr.php&ppr=/resources/P rescribing_Practice_Reviews/ppr16

A questao do ponto de vista da saude publica e como controlar a difusao de novos produtos, de modo que sua utilizacao se restrinja as indicacoes aprovadas?
Como agir diante da magnitude de um gasto em propaganda que, por exemplo, para o rofecoxib nos EEUU em 2000 (US$ 160 milhoes) excedeu os orcamentos de propaganda para a Pepsi e a cerveja Budweiser?...(National Institute for Health Care Management Research and Educational Foundation. Prescription drugs and mass media advertising 2000. Washington: NIHCM Foundation, 2001. Disponivel em http://www.nihcm.org/DTCbrief2001.pdf )

Andre L. A. Reis
Nucleo de Assistencia Farmaceutica (NAF) / Escola Nacional de Saude Publica
Centro Colaborador da OMS em Politicas Farmaceuticas
Nucleus for Pharmaceutical Policies (NAF) / National School of Public Health (ENSP)
NAF / ENSP / Fiocruz
WHO Collaborating Center for Pharmaceutical Policies
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